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Terra Blog

07.08.07

Shiii...silêncio!

O engraçado de se observar uma biblioteca, é que você não acha nada engraçado. Tudo exala sobriedade. É muito opressivo. Ei, você aí..."Silêncio! Gênios pensando!" E então pensei: "o que estou fazendo aqui, afinal?"

Muita coisa coisa realmente encabula! Nesse ambiente meio sombrio e às vezes mal iluminado, o paradoxo: a luz. Essa, tirana ou madrinha, pressiona ou simplesmente favorece o progresso intelectual dos pensadores. Mentes brilhantes, outras nem tanto, envolvidas pela atmosfera do lugar. Daqui saem grandes cérebros, grandes bocas. Daqui sai um barulho infernal!

Então, num desses momentos de "baixa" reflexão (não me atrevo a fazer uma "alta"...silêncio! muito silêncio!), outro mistério. Provavelmente Eistein se daria bem nessa Biblioteca. Aqui o tempo é absurdamente relativo. Pego uma comédia (divina ou não): o tempo voa na velocidade daquela luz madrinha. Agora, um livro de lógica: o tempo pinga pelo conta-gotas. Qual é a lógica nisso?

Olho para um canto. O Alquimista sobre a mesa. Ele estaria ali por ser essa a sua "lenda pessoal" ou porque alguém simplesmente não achou que ele compensaria a ida para casa? Autores rejeitados e ainda não devolvidos compõem uma estante de reposição. Ficam lá, à espera de um leitor ou de um cantinho na estante oficial.

Olho para baixo. "Márcia e André". Alguém muito apaixonado ou muito descrente com o livro estudado escreveu na superfície da mesa. Pedaços de vida pulsam na biblioteca. Nas cadeiras, nas mesas, nos livros, nas mentes. Cada dor, desejo ou preconceito estão latentes po aqui. Todos os mundos compondo um único universo.

"Olá! Eu queria poder saber mais de tudo, de mim, de você..." 

- Quero alugar esse livro.

- Pronto. Próximo!

Todos têm muita coisa a dizer.

De repente, o inesperado. O livro cai. Não sei o que é mais doloroso: Clarice no chão ou o barulho inconveniente. Não importa a dor, todos olham. Caras de reprovação, outras, compreensivas, fitam o grande feito. Molestaram o silêncio. E a linha de raciocínio? Perdeu-se.

Mesmo com o barulho, uma cabeça repousa sobre o livro aberto. É a esperança no processo osmótico? Ou os pensamentos pesaram? Ou foi a qualidade de humano que limitou o gênio _ o cansaço?

De qualquer forma, silêncio!                                                                                                                                     

  • criado por  mitras criado por mitras
  • Postado em 11:17:50
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