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Terra Blog

25.10.07

São Pedro pegou férias

Num drama quase hollyawoodiano, Arnold Schwarzenegger pede ajuda na Califórnia. Os incêndios que consomem as matas, casas e noites de sono de americanos, já devastaram uma área maior que a cidade de São Paulo. O prejuízo em reais? Quase dois bilhões.

No Brasil, a chuva é quem castiga. Sete mil toneladas de terra deslizaram e fecharam uma das galerias do túnel Rebouças, no Rio de Janeiro. Crianças são levadas pelas enchentes, carros são ilhados, comércios fechados. Semáforos com problemas, trânsito conturbado, atrizes globais comentam, em blogs, a chuva que molha o Corcovado. William Bonner, em seu grave, deseja “Boa noite!”

A avó que assiste ao Jornal Nacional com a netinha insiste em dizer que São Pedro está mudando os móveis e lavando o céu.
“Lavando o céu o quê, vó! São Pedro é um fanfarrão. Ele tá é de férias!”
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  • Postado em 21:16:19

10.10.07

Primeiro passo

Saí de casa logo de manhã. Enquanto caminhava, percebi que à minha frente, ia um rapaz que andava lentamente. Não pareciam passos pesados de sofrimento ou daqueles curiosos. Eram apenas lentos.

Então, dos bolsos do rapaz, começaram a cair "coisas". De onde eu estava, não dava para definir ao certo o que eram, mas tinham tamanhos e cores diferentes. Apesar de fazerem barulho quando alcançavam o chão, alguns agradáveis outros nem tanto, o rapaz parecia não notar o que estava acontecendo. Resolvi me aproximar um pouco mais para ver do que se tratava. Entendi. Não era que o rapaz não estivesse percebendo. Ele estava ignorando.

As coisas eram palavras. Palavras de todos os temas e texturas. O rapaz estava se desfazendo daquilo, sem apresentar nenhum remorso ou um pingo sequer de apego. E quando estavam completamente vazios, ele continuava andando lentamente, mas dessa vez, eram passos lentos de "vida nova". E eu...os segui.

 

  • criado por  mitras criado por mitras
  • Postado em 20:38:07

16.09.07

Picles e nachos

Dos 300 milhões de habitantes dos Estados Unidos, 14 milhões não falam inglês. Não falam mesmo. E o mais curioso é que eles não fazem a menor questão de aprender a língua natural do país em que moram. Estabelecem-se ali, inserem seus “tacos” e seu “hablar” e as coisas entram em conformidade. Ou deveriam.
Em um dos dias de trabalho nos Estados Unidos, alguém chegou e me fez seu pedido:
“Hey chica, yo quiero algunos nachos com jalapeños.”
Balbuciei alguma coisa numa tentativa ridícula de harmonizar de forma inteligível o inglês, o português e minha noção intuitiva de espanhol. Esperava que o mexicano entendesse que, na verdade, eu não havia entendido coisa alguma.
Ele mostrou sua confusão numa expressão horrorosa e seguiu com uma seqüência “anaeróbica” de palavras. A rapidez era impressionante.
Concentrei-me e, naquela esperança tola de que separando as sílabas o outro aprenda a sua língua, disse:
“I-do-not-un-ders-tand-es-pa-nish.”
O mexicano, com um cuidado menor que o meu, soltou:
“Yo no entiendo inglés”.
Fiquei parada olhando para o mexicano. Ele me devolveu o olhar que, me pareceu, como um olhar previamente elaborado e padronizado que deveria ser emitido aos petulantes que insinuassem preconceito contra latinos. Ele observou minha identificação e, associando com algumas das palavras que eu tinha dito no nosso primeiro contato, concluiu que eu também era latina. Foi então que ele sugeriu o esquema de sinais.
Como eu trabalhava em uma rede de fast-food em que o cliente monta seu próprio sanduíche, a tática “você-aponta-que-eu-pego” foi muito eficaz. Depois de meia hora, entreguei ao mexicano seu sanduíche lotado de picles e seus nachos apimentados. Ele virou para mim, e do alto de sua superioridade (afinal, fora ele quem havia proposto o esquema de sinais) e num sorriso de “viva la revolución”, insistiu no espanhol:
“Gracias”
E eu, simpaticamente, devolvi:
“You’re welcome!”
O mexicano fechou a cara em reprovação e saiu.
Eu e ele nos Estados Unidos. Não deveria ter falado em inglês.
O cliente tem sempre razão!

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  • Postado em 19:07:41

04.09.07

Mendicância

" A palma da mão pra cima, na altura do peito. Agora, encurva as costas. Faz cara de coitada. Assim não, fia, assim ó." Ensinava meu mestre imaginário, lutando para me inserir nas artes dramáticas.

Dizia que o mercado de trabalho estava saturado inclusive para os pedintes. "Nesse ramo, só ganha esmola o mais desgraçado! Se você tiver um braço a menos, você está na frente. Se não tiver, arranje-se com a cara de misericórdia"

E eu queria só um estágio...

  • criado por  mitras criado por mitras
  • Postado em 19:34:23

03.09.07

No leito de morte

"Meu Deus! Que cabelo é esse? Não há creme, gel, reparador de pontas, secador ou qualquer tecnologia cosmética que resolva!", "E essa espinha estrategicamente colocada no meu nariz? ( o qual, aliás, é surpreendentemente desproporcional ao meu rosto pálido e redondo!)", "A barriga não tem jeito! É possível que eu morra e ela continue aí, perpétua e infeliz!", "Sem contar que preciso urgentemente fazer minha unha e me depilar! É imprescindível para eu reconquistar minha auto-estima!"

"Ai Lu, você deve estar me achando uma fútil! Mas é que você me pegou num momento desregulado...TPM! Eu não sou assim, viu? Eu dou esmola e leio livros! Estou lendo um do Paulo Coelho! aquele que a Madonna A-D-O-R-A!"

Conversa ouvida nos corredores de uma universidade federal pela intrusa que vos escreve. O drama da TPM é compreensível. Mas não há distúrbio hormonal que justifique ler Paulo Coelho.

O ensino público brasileiro está moribundo, minha gente!

  • criado por  mitras criado por mitras
  • Postado em 21:42:58