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É fato. O espírito natalino já está nas vitrines das lojas, na neve dos pinheiros artificiais, no “bom velhinho” contratado para tirar foto com crianças nos shoppings. Os dias estão mais suportáveis e as noites mais iluminadas.
Os perus começam a sair das prateleiras de congelados dos supermercados para comporem, juntamente com as frutas caras e raras de fim de ano, a ceia do Natal. As castanhas, aquelas que deveriam ser consumidas mais regularmente por sua capacidade de aumentar a taxa do colesterol “bom”, são compradas aos montes.
As guirlandas nas portas, as velas nas mesas, o presépio no canto da sala, o sonoro “I wish you a Merry Christmas” para contextualizar o ambiente e se nos esforçamos, um “Ho ho ho” pode ser ouvido ao longe.Tudo é estrategicamente arranjado para criar um ar de renovação, de dias melhores.
Repare: é nessa época do ano que as pessoas ficam essencialmente melhores. Elas não presenteiam umas as outras por terem se portado bem ou só porque o capitalismo selvagem investiu profundamente nessa data a fim de promover o comércio. Os Correios não recebem os presentes em resposta às várias cartinhas de crianças carentes por mera obrigação social.
As pessoas, ou a maioria delas, querem celebrar os bons sentimentos. Querem aproveitar o tempo em que temos licença para esquecer aquilo que precisamos lembrar diariamente e que nos limita à felicidade instantânea. Aproveitar o tempo em que temos permissão para levar a vida menos a sério e convidar a esperança e o altruísmo para comemorar o que está por vir.