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Saí de casa logo de manhã. Enquanto caminhava, percebi que à minha frente, ia um rapaz que andava lentamente. Não pareciam passos pesados de sofrimento ou daqueles curiosos. Eram apenas lentos.
Então, dos bolsos do rapaz, começaram a cair "coisas". De onde eu estava, não dava para definir ao certo o que eram, mas tinham tamanhos e cores diferentes. Apesar de fazerem barulho quando alcançavam o chão, alguns agradáveis outros nem tanto, o rapaz parecia não notar o que estava acontecendo. Resolvi me aproximar um pouco mais para ver do que se tratava. Entendi. Não era que o rapaz não estivesse percebendo. Ele estava ignorando.
As coisas eram palavras. Palavras de todos os temas e texturas. O rapaz estava se desfazendo daquilo, sem apresentar nenhum remorso ou um pingo sequer de apego. E quando estavam completamente vazios, ele continuava andando lentamente, mas dessa vez, eram passos lentos de "vida nova". E eu...os segui.