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"Sabe filho, a vida às vezes machuca..."
Essa frase pouco genial guarda em si uma carga de experiência cheia de boas intenções. Mas essas intenções não a impede de ser um alerta falho, pois não há como não se machucar nessa vida.
Já que falo de frases de bolso, solto aquela que trata o viver como uma arte. Arte não no sentido de se admirar o belo, até porque a vida não é para se admirar, mas para viver. A arte aqui fala do processo trabalhoso, o envolvimento emocional e racional. A vida é uma composição de escolhas.
E dentro do emocional, escolho a dor. Falar dela arde. Por que ela então? Porque não falar dela não a impede de existir. Pelo contrário, ela é uma certeza. A dor surge da rejeição ou da perda. Surge da palavra mal-dita ou do corte na carne. A dor vem do tempo mal gasto, do vaso quebrado ou da briga não resolvida.
Mas o sofrimento é também quem ensina a olhar por onde se pisa, a pensar no que falar, a cuidar do que lhe pertence, a amar mais intensamente. É a dor que mostra uma face da realidade (mas nem por isso a mais verdadeira), a cara crua e nem sempre gentil. Uma face que nos lembra, num tom gélido e melancólico: "Estás vivo!"
É verdade: a vida às vezes machuca...
Mas só se sabe que está sofrendo, porque um dia já se experimentou da felicidade!